Aprenda como fazer a pega correta na amamentação, sinais de boa pega, quando a dor merece atenção e quando procurar ajuda.
Quando a pega acontece de forma adequada, a amamentação tende a ser mais confortável para a mãe e mais eficiente para o bebê. Mas, na prática, nem sempre isso acontece de primeira. Às vezes, o bebê pega só o bico do peito, a mãe sente dor, o mamilo fica machucado ou a mamada parece não fluir.
Como é um período de aprendizado, é comum a mãe pensar que está fazendo algo errado, principalmente quando é mãe de primeira viagem. Mas amamentar não é sobre culpa. Pequenos ajustes na posição, na aproximação e no encaixe da boca podem fazer muita diferença.
O que é a pega correta na amamentação?
A pega correta é a forma como o bebê abocanha a mama durante a mamada. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, ela cobre o mamilo e o máximo possível da aréola, que é a parte mais escura ao redor do mamilo, e não deve causar dor nem sangramento. Ou seja, a pega adequada não acontece quando o bebê pega apenas o bico do peito.
Na prática, não é só “encaixar o bico na boca do bebê”. A pega correta envolve uma abertura ampla da boca, uma aproximação bem feita e um encaixe mais profundo, para que o bebê consiga sugar melhor e a mãe não sinta dor intensa durante a mamada.
A posição da mãe e do bebê faz diferença na pega
A pega não depende apenas da posição da boca do bebê no peito. Ela também é influenciada pela posição da mãe, pela proximidade do bebê e pelo alinhamento entre cabeça, pescoço e tronco.
O NHS orienta que a mãe esteja confortável e que o bebê fique bem próximo, de frente para a mama, com cabeça e corpo alinhados. Assim, o bebê não precisa virar o pescoço nem se esticar para alcançar o peito, o que pode facilitar uma pega mais profunda e confortável.
O Ministério da Saúde reforça que o bebê deve ficar virado para a mãe, bem junto ao corpo dela, com a cabeça de frente para o peito e o nariz na altura do mamilo. Nessa posição, fica mais fácil esperar que ele abra bem a boca antes de aproximá-lo da mama.
Na prática, alguns ajustes simples podem ajudar: apoiar bem o corpo, trazer o bebê para perto em vez de se curvar até ele, manter a barriga do bebê voltada para a mãe e deixar o nariz na altura do mamilo. Quando a mãe precisa se inclinar demais, ou quando o bebê fica distante, torto ou pegando o peito de lado, a mamada pode ficar mais desconfortável e a pega tende a ser mais superficial.
Por isso, antes de pensar que “a pega não deu certo”, vale olhar para a posição. Muitas vezes, aproximar melhor o bebê, alinhar o corpo e deixar a mãe mais confortável já muda bastante a mamada.
Como fazer a pega correta passo a passo
Depois que a mãe estiver sentada de forma confortável, com o bebê voltado para ela e com cabeça e corpo alinhados, é hora de observar o encaixe da boca na mama. Em entrevista à Bebê.com.br, Patricia Scalon, consultora e enfermeira do Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno da Maternidade São Luiz Itaim, orienta que, na prática, o passo a passo pode ser assim:
- Segure a mama em formato de “C”, com a aréola livre.
- Deixe o bebê bem próximo do corpo, de frente para a mama.
- Toque o mamilo no lábio superior do bebê.
- Espere ele abrir bem a boca e abaixar a língua.
- Aproxime o bebê da mama, em vez de se curvar até ele.
- Observe se ele abocanhou o mamilo e parte da aréola.
- Veja se o queixo encosta na mama, o nariz fica livre e os lábios ficam virados para fora.
Em outra matéria da Bebê.com.br, o neonatologista Paulo Pachi, professor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, alerta que suplementos, bicos e mamadeiras devem ser evitados quando não há indicação profissional, porque podem favorecer o desmame precoce. Ele também reforça que os primeiros 14 dias são importantes para o aprendizado da mãe e do bebê. Por isso, orientação sobre técnicas e ajustes na amamentação pode fazer muita diferença nesse começo.

Sinais de que a pega pode não estar adequada
Às vezes, a mãe percebe que algo não está confortável, mas não sabe exatamente o que observar. A pega pode precisar de ajuste quando a mamada dói muito, quando o bebê parece escorregar do peito, quando faz barulhos durante a sucção ou quando o mamilo sai marcado depois.
O Ministério da Saúde cita alguns sinais que podem indicar técnica inadequada de amamentação, como bochechas do bebê encovadas a cada sucção, ruídos da língua, mama muito esticada ou deformada durante a mamada, dor durante a amamentação e mamilo com aparência achatada, esbranquiçada ou marcada quando o bebê solta o peito.
O NHS também explica que mamilos doloridos ou rachados geralmente estão relacionados ao posicionamento e à forma como o bebê pega a mama. Por isso, se a dor acontece em todas as mamadas, ou se os mamilos começam a rachar ou sangrar, a orientação é buscar ajuda cedo com um profissional de saúde ou especialista em amamentação.
Na prática, vale prestar atenção se a mãe sente dor intensa, se o bebê pega só o bico, se as bochechas ficam fundas durante a sucção, se aparecem estalos frequentes, se o bebê solta o peito muitas vezes ou se o mamilo sai achatado depois da mamada. Esses sinais não significam que a mãe está fazendo tudo errado. Eles mostram que talvez a posição, a aproximação ou o encaixe precisem de ajuste.
Também é importante ter cuidado ao interromper a mamada. Em orientação publicada pela Bebê.com.br, a enfermeira neonatologista Luciane Santos do Hospital ProMatre, explica que não é indicado tirar o bebê do peito de forma brusca, para evitar traumas na mama. Segundo ela, o ideal é posicionar o dedo mindinho no canto da boca do bebê, para que ele solte o seio naturalmente.
Muitas vezes, uma mudança pequena já melhora bastante o conforto da mamada. Mas, se houver fissuras, sangramento, dor persistente, bebê com dificuldade para sugar, poucas fraldas molhadas ou baixo ganho de peso, é importante procurar ajuda profissional.
Conclusão
A pega correta na amamentação é um aprendizado. Ela depende da posição da mãe, do alinhamento do bebê, da abertura da boca e do encaixe adequado na mama. Nem sempre tudo acontece de primeira, e isso não significa que a mãe esteja fazendo algo errado.
Quando o bebê consegue abocanhar o mamilo e parte da aréola, com o corpo bem próximo, queixo encostado na mama e nariz livre, a mamada tende a ser mais confortável e eficiente. Mas se há dor intensa, fissuras, sangramento, mamilo achatado ou o bebê tem dificuldade para sugar, vale procurar ajuda.
Ajustar a pega não é detalhe pequeno. Muitas vezes, uma mudança simples na posição ou na aproximação do bebê já melhora bastante a mamada. E, quando não melhora, pedir orientação profissional é o caminho mais seguro.
Amamentar não precisa ser uma prova de resistência. Com informação, apoio e cuidado, mãe e bebê podem encontrar uma forma mais confortável e segura de viver esse momento.
Importante
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Se a amamentação estiver causando dor intensa ou persistente, fissuras, sangramento, mamilo achatado ou esbranquiçado depois da mamada, bebê com dificuldade para pegar ou sugar, poucas fraldas molhadas, baixo ganho de peso ou qualquer sinal que cause preocupação, procure orientação com pediatra, banco de leite humano, enfermeira, obstetra, consultora de amamentação ou equipe de saúde.
⚠️ Importante
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Se a amamentação estiver causando dor intensa ou persistente, fissuras, sangramento, mamilo achatado ou esbranquiçado depois da mamada, bebê com dificuldade para pegar ou sugar, poucas fraldas molhadas, baixo ganho de peso ou qualquer sinal que cause preocupação, procure orientação com pediatra, banco de leite humano, enfermeira, obstetra, consultora de amamentação ou equipe de saúde.
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