Amamentação nos primeiros dias: dificuldades mais comuns

Entenda as dificuldades mais comuns dos primeiros dias de amamentação e saiba quando elas fazem parte da adaptação ou pedem ajuda.

Nos primeiros dias depois do parto, a amamentação pode parecer uma sequência de perguntas sem resposta. Sai só uma gotinha de leite. O bebê quer mamar de novo. Depois dorme demais. A mama fica cheia. O mamilo dói. Alguém diz que o leite é fraco. Outra pessoa sugere mamadeira. E, no meio disso tudo, a mãe está cansada, se recuperando e tentando entender se está tudo bem. 

Esse começo pode ser confuso justamente porque muita coisa acontece ao mesmo tempo. O corpo ainda está ajustando a produção de leite, o bebê está aprendendo a sugar e a mãe está descobrindo como amamentar na prática, não só na teoria. Por isso, este artigo não é um novo guia completo de amamentação. Para uma visão geral, veja Amamentação: guia completo para mães iniciantes. 

Por que a amamentação nos primeiros dias confundem tanto?

Nada é previsível nos primeiros dias. O bebê pode mamar muitas vezes, dormir bastante, chorar, procurar o peito logo depois de ter mamado ou parecer satisfeito com poucas gotinhas. Ao mesmo tempo, a mãe pode estar com dor, sono, sangramento, insegurança e recebendo muitos palpites. 

Tudo está em processo de adaptação. O Ministério da Saúde explica que até o leite materno se transforma conforme a etapa de desenvolvimento do bebê. No começo, o corpo produz o colostro, que geralmente vem em pequena quantidade, de aparência transparente ou amarelada. As mamadas tendem a ser mais curtas e frequentes.  

Ou seja, muita coisa que assusta no começo pode ter explicação. Mas isso não quer dizer que a mãe precise aguentar tudo sozinha. Dúvida, dor intensa, bebê muito sonolento ou dificuldade para mamar merecem orientação.

Parece que não tenho leite

Uma das maiores angústias dos primeiros dias é olhar para o peito, ver apenas algumas gotinhas e pensar: “não tenho leite”.

Na maioria das vezes, essas gotinhas são o colostro. Ele pode vir em pequena quantidade, mas é justamente o leite esperado para esse início. O problema é que muitas mães imaginam que o leite deveria sair em grande volume logo nas primeiras mamadas. Quando isso não acontece, a insegurança aparece rápido.

O NHS explica que, nos primeiros dias, o bebê recebe o colostro, e que pode querer mamar com muita frequência, até mesmo a cada hora. Mas isso não quer dizer que ele está recebendo pouco leite, pois o colostro é concentrado e adequado para essa fase, e a frequência pode estar ligada ao tamanho do estômago do bebê, que é muito pequeno.

Então, ver pouco leite no começo não significa automaticamente que há algo errado. O mais importante é observar o conjunto: se o bebê consegue sugar, se faz fraldas, se está sendo acompanhado pelo pediatra e se está ganhando peso conforme esperado.

Bebê querendo mamar toda hora

Outro susto comum é o bebê querer mamar muitas vezes. Às vezes, parece que ele terminou uma mamada e logo quer voltar para o peito. Isso pode ser cansativo e gerar a sensação de que o leite não está sustentando.

Nos primeiros dias, mamadas frequentes podem fazer parte da adaptação. O bebê ainda está aprendendo a sugar, o estômago é pequeno e a sucção ajuda a estimular a produção de leite.

Em entrevista ao blog do Hospital e Maternidade Santa Joana, a neonatologista Dra. Clery Bernardi Galacci explica que a mãe pode achar que o leite é pouco ou fraco, mas que “leite fraco” não existe. Segundo ela, o ponto principal é o bebê mamar de forma adequada. Um bebê saudável costuma mamar de 8 a 12 vezes ao dia, mas ela reforça que não dá para se prender apenas a números, porque cada bebê tem seu ritmo.

O NHS explica que alguns bebês podem querer mamar com muita frequência, até mesmo a cada hora, mas esse padrão tende a mudar conforme o leite mais maduro começa a ser produzido.

Por isso, a pergunta não deve ser apenas “ele está mamando muitas vezes?”, mas sim: ele consegue sugar? Engole durante a mamada? Parece relaxar depois? Está fazendo fraldas? O peso está sendo acompanhado pelo pediatra?

Se o bebê quer mamar com frequência, mas suga bem, faz fraldas e está sendo acompanhado, isso pode fazer parte do começo. Mas se ele procura o peito o tempo todo e, mesmo assim, parece fraco, muito sonolento, não consegue manter a sucção, faz poucas fraldas molhadas ou não ganha peso como esperado, é importante procurar avaliação profissional.

Descida do leite, mama cheia e apojadura

Depois dos primeiros dias, pode acontecer a descida do leite, também chamada de apojadura. Nessa fase, as mamas podem ficar mais cheias, pesadas, quentes, sensíveis ou endurecidas.

A Fiocruz explica que a apojadura é o preparo da mama para o início da produção de leite e geralmente acontece até cinco dias após o parto. A instituição também orienta que, quando as mamas estão muito cheias, a mãe pode precisar de ajuda para lidar com o desconforto e facilitar a amamentação.

Esse momento pode assustar porque a mama muito cheia pode dificultar a pega do bebê. Às vezes, ele tenta abocanhar, mas escorrega, chora ou se irrita. A mãe, por sua vez, pode sentir dor e achar que está fazendo algo errado.

Se houver apenas sensação de mama cheia e desconforto leve, pode ser parte da adaptação. Mas dor forte, vermelhidão, febre, calafrios, mal-estar, endurecimento importante ou dificuldade persistente para o bebê mamar pedem avaliação profissional.

Dor nos mamilos e fissuras

Alguma sensibilidade pode acontecer no começo. Mas dor intensa, fissuras, sangramento ou medo de colocar o bebê no peito não devem ser normalizados.

O NHS explica que mamilos doloridos ou rachados durante a amamentação geralmente estão relacionados ao posicionamento e à forma como o bebê pega a mama. A orientação é buscar ajuda cedo se a dor acontece em todas as mamadas ou se os mamilos começam a rachar ou sangrar.

Dor não significa que a mãe é fraca. Muitas vezes, significa que algo precisa ser ajustado. Pode ser posição, pega, mama muito cheia ou outra dificuldade que precisa de um olhar profissional.

Para aprofundar, leia também: Pega correta na amamentação: como fazer passo a passo.

Bebê sonolento ou difícil de acordar para mamar

Alguns recém-nascidos dormem bastante nos primeiros dias, e isso pode deixar a mãe em dúvida sobre quando acordar, oferecer o peito ou procurar ajuda. Um bebê que dorme, mas acorda para mamar, suga bem e faz fraldas pode estar apenas em adaptação. Mas quando o bebê está muito sonolento, molinho, difícil de acordar, não consegue manter a sucção ou faz poucas fraldas molhadas, é importante buscar orientação.

Nesses casos, vale falar com o pediatra, a equipe da maternidade, a unidade de saúde ou um banco de leite humano. Nos primeiros dias, esperar demais pode aumentar a insegurança e dificultar a amamentação. Pedir ajuda cedo é uma forma de proteger o bebê e também aliviar a mãe.

Palpites, culpa e pressão

Nos primeiros dias, muita mãe escuta frases que confundem mais do que ajudam. Esses palpites podem deixar a mãe insegura, principalmente quando ela já está cansada e sensível. O problema é que nem todo conselho vem com informação correta. Em vez de ajudar, algumas falas aumentam a culpa.

Nesse começo, a mãe precisa de menos julgamento e mais apoio real. Apoio é trazer água, preparar comida, ajudar com a casa, segurar o bebê para ela tomar banho, acompanhá-la em uma consulta ou incentivar a busca por um banco de leite quando há dor ou dúvida.

A amamentação não depende só de força de vontade. Depende de informação, orientação, descanso possível e uma rede que ajude, em vez de pressionar.

Quando procurar ajuda nos primeiros dias?

Procure ajuda com pediatra, equipe de saúde, banco de leite humano ou consultora de amamentação se houver:

  • dor intensa ou persistente;
  • fissuras importantes;
  • sangramento nos mamilos;
  • mama muito vermelha, quente, endurecida e dolorida;
  • febre, calafrios ou mal-estar;
  • bebê muito sonolento, molinho ou difícil de acordar;
  • bebê com dificuldade para pegar ou sugar;
  • poucas fraldas molhadas;
  • perda de peso ou baixo ganho de peso; 
  • mãe muito exausta, chorando com frequência ou sentindo que não consegue continuar.

A Fiocruz orienta que, quando a mãe não consegue amamentar ou encontra dificuldade importante, o primeiro passo deve ser buscar ajuda com médico, pediatra ou a unidade onde teve o bebê. Os bancos de leite humano também podem oferecer orientação para dificuldades na amamentação.

Conclusão

Os primeiros dias de amamentação podem ser intensos. Nem sempre tudo encaixa de primeira, e isso não significa que a mãe falhou.

Colostro em pequena quantidade, mamadas frequentes, insegurança e adaptação fazem parte do começo para muitas famílias. Mas dor intensa, fissuras, febre, bebê sonolento demais ou poucas fraldas molhadas precisam de atenção.

Amamentar não deve ser uma prova de resistência. Com informação, apoio e orientação no momento certo, esse início pode se tornar mais seguro, mais confortável e menos solitário.

Pedir ajuda cedo é cuidado com o bebê. E também com a mãe.

⚠️ Importante

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

Nos primeiros dias de amamentação, procure ajuda se houver dor intensa, fissuras, sangramento, febre, calafrios, mama vermelha, quente ou endurecida, bebê muito sonolento, poucas fraldas molhadas, dificuldade para mamar, perda de peso, baixo ganho de peso ou qualquer sinal que cause preocupação.Banco de leite humano, pediatra, enfermeira, obstetra, consultora de amamentação e equipe da unidade de saúde podem ajudar a avaliar o que está acontecendo e orientar o melhor caminho.

Sobre a Redação Oh Manhê

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